Declaração do artista
Minha prática artística está fundamentada em uma pesquisa ancestral, como se eu escavasse as células do meu DNA para explorar as migrações que habitam meu corpo. Nesse processo, reconheço a presença dos meus ancestrais: os tecelões indígenas wayuu, juntamente com raízes espanholas, portuguesas e outras que se entrelaçam como o fio condutor do meu trabalho.
Por meio da prática têxtil, estabeleço uma ponte entre identidade, memória e território, reativando saberes ancestrais que transcendem o tempo e moldam meu próprio percurso. Para mim, tecer é um gesto de pensamento e evocação, no qual cada nó é um signo e cada ponto, uma história.
Nesse processo, revisito a memória, entrelaço experiências e construo uma narrativa visual e tátil que se desdobra no espaço. Trabalho com corda reciclada como material essencial, explorando sua capacidade de se transformar, oxidar e absorver a passagem do tempo. Na escala têxtil, incorporo fotografia sublimada sobre a fibra, permitindo que a imagem se funda com o vestígio da trama.
Nessa interação, a matéria reage como a memória: muda, respira e perdura. Cada peça emerge de um processo minucioso e manual, no qual o gesto se transforma em linguagem e o material em arquivo. Minhas obras não são concebidas apenas para serem contempladas, mas para serem habitadas: espaços imersivos onde poesia, som, braille, língua de sinais, vídeo e fibra se entrelaçam para despertar a memória do corpo.